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Noções sobre Brasilindianidades

17 de maio de 2021 - São Paulo, SP.

Quadro Indígena Brasileiro

Os povos originários Brasileiros somam hoje segundo dados de 2010 do IBGE, 896.917 pessoas. Destes, 324.834 vivem em cidades e 572.083 em áreas rurais, o que corresponde aproximadamente a 0,47% da população total do país. A Secretaria Especial de Saúde Indígena reconhece 416 Etnias. Se diz que existem cerca de 114 povos livres ou isolados (que não têm contato direto com o não indígena). Há registros de 274 Línguas indígenas no Brasil. A língua é a maior expressão do pensamento e das cosmovisões de um povo. Ela representa um patrimônio cultural da humanidade, segundo o Instituto Sócio Ambiental “Os especialistas no conhecimento das línguas (linguistas) expressam as semelhanças e as diferenças entre elas através da ideia de troncos e famílias linguísticas. Quando se fala em tronco, têm-se em mente línguas cuja origem comum está situada há milhares de anos. As semelhanças entre os troncos são muito sutis. Entre línguas de uma mesma família, as semelhanças são maiores, resultado de separações ocorridas há menos tempo”.


No que diz respeito às línguas indígenas no Brasil, há dois grandes troncos - Tupi e Macro-Jê - e 19 famílias linguísticas que não apresentam graus de semelhanças suficientes para que possam ser agrupadas em troncos. Há, também, famílias de apenas uma língua, às vezes denominadas “línguas isoladas”, por não se revelarem parecidas com nenhuma outra língua conhecida. É importante lembrar que poucas línguas indígenas no Brasil foram estudadas em profundidade. Portanto, o conhecimento sobre elas está permanentemente em revisão”.

Então no Brasil temos diferenças linguísticas como se aqui vivessem alemães e chineses. Cada palavra, cada língua significa e ressignifica o mundo e sua dinâmica. Assim, nessa imensa diversidade cultural é possível encontrar novas saídas para problemas antigos que a humanidade não resolveu através da imposição de umas culturas sobre outras, através do eurocentrismo, e do imperialismo norte americano, homogeneizando o mundo na referência da cultura hegemônica imposta.

A Convenção 169 da OIT sobre Povos Indígenas e Tribais Genebra, endossada pelo Decreto nº 5.051/2004 no Brasil afirma que “Identidade e pertencimento étnico não são conceitos estáticos, mas processos dinâmicos de construção individual e social. Dessa forma, não cabe ao Estado reconhecer quem é ou não indígena, mas garantir que sejam respeitados os processos individuais e sociais de construção e formação de identidades étnicas.”


Quadro de Ana Mendina

No Estatuto do Índio (Lei 6.001/73) os critérios utilizados para se considerar uma pessoa como indígena consistem em autodeclararão e consciência de sua identidade indígena e reconhecimento dessa identidade por parte do grupo de origem.

Para além das questões jurídicas que são importantes, também existem questões culturais e espirituais relacionadas à identidade étnica. Assim, a convivência respeitosa possibilita trocas e aprendizados entre culturas diferentes. Para exercitar seu modo de viver é imprescindível o respeito ao acesso a seu território. Ainda que exista tamanha diversidade entre os povos indígenas brasileiros, uma das características que os une é compreender a Terra como algo vivo que pulsa. Isso está explicitado por grandes lideranças indígenas como David Kopenawa Yanomami e Ailton Krenak. Recentemente o direito a seu território vem sendo mais uma vez golpeado e ameaçado pelo chamado Marco temporal, uma ação no Supremo Tribunal Federal (STF) que defende que povos indígenas só podem reivindicar terras onde já estavam no dia 5 de outubro de 1988, que deturpando a interpretação da justiça e a restringindo ao que está “escrito no papel”, não reconhece que a existência desses povos é anterior à invasão europeia das terras que vieram a se chamar Brasil.

Desenhando em seu rosto a “União dos Povos”, uma das lideranças da aldeia multiétnica “Filhos dessa Terra”, nos explica que a União é construída pela partilha igualitária do que vem para a comunidade e através do Toré: dançar e cantar juntos nos Une. Assim é o próprio povo brasileiro (talvez este ensinamento tenha vindo de nossa ancestralidade afroamerindia). Como diz o poeta: “se ao invés do invasor vestir o índio, os povos originários tivessem despido aqueles que chegaram nas caravelas, nosso caminho teria sido outro”. Se ao invés de tiros e estupros, todos tivessem dançado e cantado, festejando a colheita e guardando as sementes para o próximo plantio, outro Brasil existiria. Talvez um Brasil que não abandonasse suas crianças, que respeitasse os mais jovens e os anciãos... que conversasse com o vento, a água, a terra e o fogo. Que entendesse que o que se faz å Terra, atinge a todos os seres viventes. Talvez este outro Brasil não despejasse mercúrio nas águas em busca de ouro; talvez não derrubasse a floresta para explorar minérios… talvez ensinasse a todos que a Terra nos fornece segurança alimentar e um povo que não tem segurança alimentar está a mercê da escravidão da dependência. Até o século XVI a humanidade se alimentava com mais de 3 mil espécies de vegetais. Em 400 anos de capitalismo comercial se reduziram para 400 espécies. durante o século XX do capitalismo industrial reduziu-se a 60 variedades de vegetais e nas últimas décadas o imperialismo da monocultura reduziu esse patrimônio a 34 produtos vegetais sendo que 80% dos alimentos da humanidade se baseiam em cinco tipos de grãos: soja, milho, trigo, arroz e feijão. Os povos Indígenas são guardiões da sabedoria do cultivo da diversidade alimentar. O que alimenta nosso corpo e nossa alma vem da capacidade do ser humano de se relacionar de maneira equilibrada com a Terra chamada pelos povos originários de mãe. O caminho da violência impera mas a história ainda não acabou, muitas páginas ainda estão para ser traçadas. Puxando o Toré e aprendendo a plantar e cultivar a vida!


Vídeos do Projeto SER INDIGENA :







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